quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Música, (dádiva divina).


“Porque o meu canto é a minha solidão, é minha salvação”.

“Por isso uma força me leva a cantar, por isso essa força estranha no ar”.

Força estranha, talvez esta seja a melhor forma de definir está dádiva que é a música? Até mesmo a bíblia nos dá a certeza de que ela estará presente no céu! Hoje, me peguei fascinado, dominado pelos seus mistérios. Que força é essa que como uma dama sedutora nos convida para sair? Que força estranha é essa que através dos fones nos embala, no trânsito, e nos transporta de uma viagem estressante para o que realmente uma viagem deveria ser, um passeio por diversos reinos, uma contemplação de diversas realidades, um panorama dos subúrbios dos sentimentos.
Que mistérios residem nesse emaranhado de notas que a constitui? Que poder a faz levantar aqueles que há tempos estavam desanimados? Por outro lado, que magia é essa que faz emergir a podridão de amargas lembranças? Será ela uma espécie de droga, ou, quem sabe uma centelha divina contida em nossos espíritos? Não sei, mas creio que talvez até seja as duas coisas. Pois, há muito tempo ela está comigo e isto sempre foi algo mágico e espantoso. É espantoso quando vejo histórias minhas serem narradas pela voz de outra pessoa! É espantoso acreditar que sem ela eu não teria metade da voz que tenho hoje, metade da consciência de vida.
Quem é ela? Creio que a mais fiel amante de um homem, pois está sempre disposta a acariciá-lo nos momentos difíceis. Com ela faço as minhas melhores orações, explano no frio do quarto as dores de amores perdidos. Com a ajuda dela reconheço as mazelas do mundo, me torno ator, compro passagens com escalas diretas para qualquer mundo, qualquer realidade.

sábado, 28 de agosto de 2010

Desprezados




“O poeta é um destinado do sofrimento. Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza”.

“Sou completamente louco, mas um louco consciente”.

“Eu gosto dos que tem fome, dos que morrem de vontade, dos que secam desejo, dos que ardem”.

Libertos do mundo, vilipendiados, doentes, repudiados. Porquê será que a sociedade rejeita tantos os loucos? Será que é devido ao medo de serem eles os portadores da verdade? Galileu foi chamado de louco, entretanto, estava certo. Einstein foi chamado de louco, todos os grandes nomes desta terra foram chamados de loucos. E mesmo após tantas confirmações a respeito de uma insanidade construtiva a sociedade continua a desprezar o diferente. Fato é que todos os grandes pensadores são homens à frente de seu tempo, talvez por isso seja difícil cobrar que a sociedade os entenda.
Porém, está máquina de intrigas que é a sociedade não rejeita apenas os classificados como loucos, rejeita também os seus enfermos, os portadores de necessidades especiais e etc. Parece que é preferível ignorar a dor dos que sofrem e buscar distração em qualquer coisa, ignoramos as doenças, a morte e etc. Mas, mesmo assim ele um dia chegará para todos. Já notaram que as arquibancadas dos estádios de futebol estão sempre cheias, fazem filas quilométricas para comprar os ingressos, mas não existem essas mesmas filas para se prestar algum serviço comunitário. Muitos chegam até a deixar os seus entes queridos sem visitas em um leito de hospital, mas talvez essas mesmas pessoas não esqueçam de assistir a um jogo da final!
A verdade é que vamos acostumando, vamos acostumando a ver os jovens talentos se apagarem por falta de investimento. Afinal, já há tantos jovens deslocados! Que diferença faria um a mais ou menos? É sempre melhor julgar um promissor talento como louco, doente. É sempre melhor crer que o jovem malabarista do sinal não passa de um pivete.
Sim, eu sou mais um louco, uma alma carente que não encontrou o seu espaço. Sou apenas um jovem escritor, pobre poeta que precisa se acostumar a ver a sua arte tornar-se sinônimo de vagabundagem. Sou apenas mais um ignorado entre tantos, e quem sabe eu esteja realmente ficando doente. Tudo bem, “sou meio triste e acho graça, tem tanta gente triste que disfarça”. Que chato, só não queria ver meus versos se perderem tão tristes!

 

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Necessidades ou vícios?



“Preciso de oxigênio, preciso ter amigos, preciso de dinheiro, preciso de carinho”.

“Eu não quero ver você fumando ópio, pra sarar a dor”.

Com certeza entre vocês alguém já parou para pensar no limite existente entre necessidade e vício. Afinal, qual é o indicador que nos alerta quais são as coisas que realmente necessitamos fazer e quais são aquelas que nos viciamos a fazer? Seria simples tirar como base para esta questão as necessidades vitais do ser humano, beber água, comer, ir ao banheiro, amar...Porém, até a satisfação dessas necessidades envolve outros fatores; como trabalho, estresse decorrente do trabalho, sorte no jogo do amor e etc.

Para alguns uma cerveja após o trabalho faz-se necessária para aliviar o estresse, já outros bebem para aliviar o sofrimento de não possuir um emprego ou um amor. Mas, a pergunta é até que ponto um hábito como esse pode ser classificado como necessidade, quando se torna um vício? Creio que a resposta não reside na natureza do hábito e nem na sua motivação, mas sim no limite em que ele deixa de ser benéfico para tornar-se destrutivo.

Assunto complicado esse, tão complicado que até para mim é árdua a tarefa de identificar esse limite. Economizando palavras posso dizer que me identifico muito com a primeira citação presente nesta crônica, um trecho da letra meninos e meninas, composta pela Legião urbana. Porém, até mesmo nestas necessidades mais simples me questiono. Será que apenas necessito dessas coisas ou estou viciado nelas. Talvez eu seja um viciado em afeto, em dinheiro...Não quero avaliar isto! A verdade é que sou um ser cheio de necessidades comuns e com alguns vícios que me aliviam o estresse. Preciso escrever, preciso de uma cerveja, amar, arrumar o quarto. Não consigo ver, claramente, a diferença entre essas atividades, no entanto elas me fazem bem, me mantém vivo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A violência do amor.



“Falamos juntos o que não devia nunca ser dito por ninguém”.

“Você empresta e cobra mais tarde com juros, você chora e fede como todo mundo”.

Creio que ao menos um de vocês já deve ter notado que por praxe ou (esperança) iniciamos sempre um relacionamento com as melhores intenções, entregamos ao outro o melhor de nós, talvez até ocultando um pouco a nossa face negra. E ao decorrer da relação, geralmente, nos esforçamos para mantê-la, superando as piores adversidades exercitamos nossa compreensão e às vezes fingimos até descobrir o perdão. Sendo assim, o que motiva as palavras tão duras ditas ao término de uma relação? O que justifica essa violência do amor? Não sei, isso tudo apenas me conduz a pensar que se for o amor um presente divino, essa reação violenta que durante as brigas e principalmente após o término se revela só pode ser o um indício do nosso primitivo anseio bestial. Sim, são nesses momentos que regredimos ao estado de feras, é quando nos arrependemos de tanta entrega, é quando o mais importante deixa de ser a história vivida e passa a ser somente sair com o ego bem nutrido. Somos feras competitivas!

Bem, eu mesmo posso dizer que já recebi alguns tapas na cara, “paguei as minhas dividas, tive a minha parte de terra chutado no rosto”. Porém, não deixo de tentar me libertar dessa herança animal e procuro sempre não me iludir com a falsa sensação de vitória que traz essa competição. Penso que todos sabemos vencer, então se faz necessário apenas aprender a perder também. A cada dia torna-se mais claro para mim que não existe vitória diante da humilhação alheia. Mas, ao mesmo tempo confesso ser incomodo ser derrotado. Violência do amor, que termo estranho! Pois é, é preciso calma!

terça-feira, 27 de julho de 2010

00:35, uma saída do túnel.



00:35, fumo um cigarro, esgoto os pensamentos, pensamentos sobre uma coisa qualquer, alguma coisa perdida. Escrevo os meus versos, tristes versos, já nasceram assim, tomaram vida, tomaram minha vida, contando histórias dos reinos em mim.
Outro trago e penso que não sei quem sou, sou um abismo largo, uma calçada na esquina, um banco de praça, floresta virgem, devastada, está em chamas. Mas soa estranho, esse penar é tão vago que me atraio a pensar que seria melhor não pensar.
Agora, penso em outro cigarro, penso que a vida é persistente, persiste nos rios imundos, persiste na boca da noite, na ânsia de vômito, esmorece na presença da febre. Penso na violência do amor, na bondade divina, na virada dos rumos, na saída do túnel.

(in) Sanidade?



"Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã".


"Você fala em sanidade como quem pode fazer, você tenta falar a verdade, só que não tem nada pra dizer".

O que de fato é a insanidade? Numa consulta ao dicionário encontrei as seguintes definições: 1 qualidade de insano, 2 demência, 3 falta de juízo. Contudo, acho que essas definições são irrelevantes para o conteúdo da crônica, já que me interesso mais em abordar outras questões. Afinal, quando é possível se (auto) diagnosticar a insanidade? Que perccaulsos da vida nos conduzem até ela? Bem, acho que é complicado encontrar um ponto para delimitar quando esta doença começa a atacar o homem. Mas, sei que em uma mundo tão repressivo como este qualquer pessoa está sujeita a adquirir algum tipo de problema mental. Desde os primórdios, o homem sempre teve que lidar com diversas cobranças, como: ser o melhor caçador, conseguir um bom casamento, ter carro do ano, passar no vestibular e etc.

Alguns alcançam o estágio de insanidade devido ao alcoolismo, outros recorrem ao uso de substâncias ilegais para amenizar os males da vida. Entretanto, quem já não se fez a seguinte pergunta: será que estou ficando louco?

No meu caso, já me fiz essa pergunta diversas vezes. Por diversas vezes me questionei a respeito da minha sanidade, já passei algumas semanas sem entender se eu estava realmente no controle ou se era o outro. Aquele outro, aquela outra pobre face que de tanto lidar com o desespero e a opressão se rebela.



sábado, 3 de julho de 2010

Mudança ( De malas prontas ).

 
Por diversas vezes, ouvi a seguinte frase: o ser humano é super adaptável. Então por que nos custa tanto arrumar as malas e partir? Creio que não é o receio da mudança, da incógnita presente no que está por vir que aflige o homem, mas sim um medo de deixar a sua zona de conforto. Isso mesmo, geralmente, somos preguiçosos e nos habituamos até mesmo com as nossas maiores dores, e então ao invés de nos aventurarmos em busca de mudanças passamos apenas a fantasiá-las  enquanto permanecemos "confortáveis", num desses sofás da vida. Sendo a vida uma constante em movimento, por que pequenas mudanças nos perturbam tanto?  Para alguns o simples ato de trocar de emprego é um fato assustador, já outros repudiam à ideia de mudar de cidade, se afastar dos amigos e etc... Até mesmo investir em uma nova relação amorosa já é uma mudança dolorosa para alguns. A verdade é que sofremos demais por antecipação, nos preocupamos com as coisas que uma mudança pode nos tirar e ignoramos que mudanças também nos acrescentam muito.
 Bem, escrevo essa crônica não para ditar verdades, mas apenas para aliviar o fardo de estar fazendo as malas. Sim, estou fazendo as malas, a vida clama por mudanças... Estou fazendo as malas, não sei para aonde vou e nem que peças de roupas devo levar, só espero não esquecer um agasalho e passar frio. Então isso é tudo, leitores, espero que essa crônica possa ajudá-los a fazer as malas. Não temam as mudanças, às vezes é preciso engolir a dor, deixar algo morrer para que o novo possa surgir. Se observarmos a natureza veremos que o mundo sempre esteve em transformação, há um tempo determinado para cada coisa, o nascer e o pôr do sol, a duração das estações e etc... Por isso apenas façam as malas e se lembrem de não esquecer um agasalho.